Altera a Lei nº 16.241, de 14 de dezembro de 2017, que cria o Calendário Oficial de Eventos e Datas Comemorativas do Estado de Pernambuco, define, fixa critérios e consolida as Leis que instituíram Eventos e Datas Comemorativas Estaduais, originada de projeto de lei de autoria do Deputado Diogo Moraes, a fim de instituir o Dia Estadual do Choro – João Pernambuco.
TEXTO COMPLETO
Art. 1º A Lei nº 16.241, de 14 de dezembro de 2017, passa a vigorar com as seguintes modificações:
“Art. 312-B. Dia 16 de outubro: Dia Estadual do Choro – João Pernambuco.” (AC)
Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
JUSTIFICATIVA
Ao lado do Frevo, o Choro, popularmente chamado de Chorinho, é considerado um gênero musical genuinamente brasileiro. Sua origem remonta ao século XIX, na cidade do Rio de Janeiro, onde se registraram os primeiros encontros de músicos (chorões), essencialmente funcionários públicos e pequenos comerciantes, que se reuniam em rodas pelo simples prazer de tocar. Aos instrumentos iniciais – flauta, violão e cavaquinho – foram incorporados outros ao longo do tempo, como o bandolim, o pandeiro, o clarinete e o saxofone.
Representa o agrupamento musical mais antigo dentro da música popular brasileira e sofreu influência de estilos musicais europeus, como a polca, e de ritmos africanos, como o Lundu, já presente na cultura brasileira desde o final do século XVIII.
De execução complexa e arranjos sofisticados (é comparado ao Jazz norte-americano pelos improvisos, técnicas e habilidades que exige), o Choro se popularizou, ganhou relevância nacional e se tornou símbolo da cultura brasileira graças, sobretudo, à genialidade de músicos e compositores que ajudaram a moldá-lo ao longo das décadas.
Nomes estelares, como o de João Teixeira Guimarães, o João Pernambuco, nascido no município de Jatobá, Sertão de Itaparica, no dia 2 de novembro de 1883. De origem humilde, sem nunca ter frequentado escolas e ferreiro de profissão, João Pernambuco viria a se tornar um dos expoentes do Choro e um dos maiores violonistas de todo o mundo. Passados 73 anos de sua morte (16.10.1947, Rio de Janeiro) continua a ser fonte inesgotável de pesquisa, influenciando a formação de músicos do Brasil e de outros países.
João foi o terceiro dentre os 11 filhos do casal Manoel Teixeira Guimarães e Tereza Vieira. Com a morte do pai, sua mãe se casou com João Alves Mendes, com que teria outros 11 filhos. Aos 12 anos, deixou a terra natal para viver com a numerosa família no Recife. Na capital, entrou em contato com o universo dos cantadores e violeiros em encontros em feiras livres, Mercado de São José e Pátio de São Pedro. Grandes mestres da arte do improviso, como os violeiros Manoel Cabeceira, Cego Sinfrônio e Cirino da Guajurema, foram fundamentais para a sua formação.
Aos 20 anos, seguiu para o Rio de Janeiro em busca de oportunidades. Ao longo da vida João Pernambuco, apelido dado pelos amigos por sempre exaltar as belezas do seu estado, foi serralheiro, calceteiro de ruas, servente e contínuo. Ocupações que asseguraram a sobrevivência enquanto consolidava seu nome como violonista e compositor. Aos 26 anos já despontava como grande nome do Choro ao lado de talentos como Pixinguinha, Donga, Zé Cavaquinho, Sátiro Bilhar, entre outros. Compôs mais de cem músicas, entre choros, valsas, jongos, maxixes, toadas, cocos, prelúdios e estudos.
Ao propor a criação do Dia Estadual do Choro – João Pernambuco, além do merecido reconhecimento ao grande compositor e violonista brasileiro, pretende-se ainda assegurar visibilidade às muitas contribuições dadas por Pernambuco ao gênero musical.
No Estado, o movimento do Choro sempre foi intenso e de reconhecimento nacional. Grandes nomes como os de João Pernambuco, Rossini Ferreira, Luperce Miranda, Quincas Laranjeiras, Tia Amélia, Zé do Carmo, entre tantos, colocaram Pernambuco como um dos importantes centros de efervescência do Choro no Brasil, acompanhado do Rio de Janeiro e São Paulo.
Tendo a Região Metropolitana do Recife como grande centro, o gênero expande-se também para o interior. Isso acontece em movimento crescente, através de festivais culturais, que asseguram divulgação da produção musical das novas gerações de chorões, acesso e formação do público, revelando a qualidade e diversidade do Choro que fincou raízes em terras pernambucanas.