2015Requerimentos

Requerimento Nº 857/2015

By 04/02/2015junho 1st, 2020No Comments

Requerimento Nº 857/2015

 

Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais, 
que seja transcrito nos anais desta Casa o editorial “Saúde pública de 
qualidade”, o qual encontra-se publicado no Jornal do Commercio, no dia 02 de 
agosto do vigente ano.

 

Justificativa 

 

No último dia 02, o editorial do Jornal do Commércio destacou uma iniciativa no 
campo da medicina que realmente é merecedora do reconhecimento e aplausos de 
toda sociedade pernambucana. Trata-se da aplicação de recursos tecnológicos de 
ultima geração na reconstrução de crânio dos pacientes usuários do SUS, que são 
atendidos no Hospital da Restauração. Para além da criatividade, da competência 
e do caráter inovador dessa iniciativa, está o espírito público e o compromisso 
social de um jovem médico, que alia o saber que adquiriu nas bancas escolares e 
hospitais por onde passou, ao sentimento de solidariedade com os que mais 
precisam do Poder Público, aqueles aos quais historicamente é negada a 
oportunidade de receber tratamento de saúde com um bom padrão de qualidade. Na 
boa contramão desse processo de exclusão, está o Dr. Juan Pablo Borges 
Rodrigues Maricevich, disponibilizando a usuários do Sistema Único de Saúde não 
apenas um serviço de boa qualidade, mas um serviço que utiliza o que há de mais 
avançado na área de reconstrução craniana, lançando mão de técnicas que reúnem 
o que há de mais sofisticado na área de reconstrução bucomaxilofacial . Por 
isso, requeremos que o referido editorial do JC seja transcrito nos anais da 
Casa. Esse é o exemplo que precisa inspirar as futuras gerações de médicos em 
nosso Estado e em todo o mundo.
Segue abaixo na íntegra o editorial de 02 de agosto do vigente ano do Jornal 
do Commercio:
“Saúde pública de qualidade”
“No Hospital da Restauração, o uso de tecnologia 3D e dedicação de uma equipe 
possibilitam a reconstrução de crânio num trabalho revolucionário para a 
crônica médica. Há não muito tempo atrás, seria material de ficção científica. 
Mas para o cirurgião Pablo Maricevich e para o jovem Lucas Rafael da Silva – 
que sofreu traumatismo do crânio em um acidente de moto — foi o marco de mais 
um capítulo na história de um hospital onde trabalha um número de profissionais 
equivalente a mais da metade da população dos menores municípios pernambucanos. 
São 2,2 mil internações, 800 cirurgias, 10 mil atendimentos emergenciais e 13 
mil ambulatoriais por mês, boa parte dos quais resultado da deficiência 
hospitalar do interior, de onde acorrem a todo instante as ambulâncias para o 
Recife.
Matéria recente da repórter Verônica Almeida documenta a satisfação do jovem, 
que havia perdido quase um quarto do crânio e voltou a sorrir, e do cirurgião, 
que em menos de um ano já operou 23 pessoas, devolvendo a elas a estética, “um 
bônus que tem muita importância na saúde mental”. Esses são detalhes de um 
grande painel que representa um dos melhores, mais complexos e às vezes 
criticados serviço públicos em Pernambuco, com um papel social indiscutível. 
Seus mais de 3.600 funcionários — quase 600 médicos — são responsáveis pela 
saúde das pessoas nos momentos mais difíceis, quando se exige mais habilidade 
para salvar vidas em situação de emergência. Atendendo 100% pelo SUS, 48 anos 
depois de inaugurado o HR é reconhecido pela excelência em traumato-ortopedia, 
cirurgia geral, vascular periférica, bucomaxilofacial, clínica médica e 
pediátrica, com especialistas em casos de alta complexidade — como essa 
reconstrução de um crânio com apoio de software desenvolvido em São Paulo.
Esse capítulo especial na história da maior emergência do Norte e Nordeste do 
País representa um grande avanço pela sustentabilidade. Não se trata de um caso 
circunstancial fora do comum e igualmente extraordinário — como aconteceu em 
fevereiro de 2004, quando a turista israelense Moran Bonflek, atingida por uma 
bala perdida durante o Carnaval de Olinda, foi salva com uma massagem no 
coração, na emergência da HR.
A tecnologia 3D que desenvolve próteses como essa que devolve a um jovem as 
condições de sobrevivência normal — sem chamar atenção pela deformação 
provocada pelo acidente —, já tem um histórico no Brasil e vem sendo buscada 
por médicos de países vizinhos. Um dado a mais tem que ser realçado nesse 
trabalho do Centro de Informação Tecnológica Renato Archer, de Campinas: seu 
coordenador, o engenheiro Jorge Vicente Lopes, chama atenção para o fato de o 
nosso Sistema Único de Saúde estar proporcionando, com essa tecnologia, o que 
muitas vezes não é encontrado no setor privado do primeiro mundo.”