Requerimento Nº 857/2015
Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais,
que seja transcrito nos anais desta Casa o editorial “Saúde pública de
qualidade”, o qual encontra-se publicado no Jornal do Commercio, no dia 02 de
agosto do vigente ano.
Justificativa
No último dia 02, o editorial do Jornal do Commércio destacou uma iniciativa no
campo da medicina que realmente é merecedora do reconhecimento e aplausos de
toda sociedade pernambucana. Trata-se da aplicação de recursos tecnológicos de
ultima geração na reconstrução de crânio dos pacientes usuários do SUS, que são
atendidos no Hospital da Restauração. Para além da criatividade, da competência
e do caráter inovador dessa iniciativa, está o espírito público e o compromisso
social de um jovem médico, que alia o saber que adquiriu nas bancas escolares e
hospitais por onde passou, ao sentimento de solidariedade com os que mais
precisam do Poder Público, aqueles aos quais historicamente é negada a
oportunidade de receber tratamento de saúde com um bom padrão de qualidade. Na
boa contramão desse processo de exclusão, está o Dr. Juan Pablo Borges
Rodrigues Maricevich, disponibilizando a usuários do Sistema Único de Saúde não
apenas um serviço de boa qualidade, mas um serviço que utiliza o que há de mais
avançado na área de reconstrução craniana, lançando mão de técnicas que reúnem
o que há de mais sofisticado na área de reconstrução bucomaxilofacial . Por
isso, requeremos que o referido editorial do JC seja transcrito nos anais da
Casa. Esse é o exemplo que precisa inspirar as futuras gerações de médicos em
nosso Estado e em todo o mundo.
Segue abaixo na íntegra o editorial de 02 de agosto do vigente ano do Jornal
do Commercio:
Saúde pública de qualidade
No Hospital da Restauração, o uso de tecnologia 3D e dedicação de uma equipe
possibilitam a reconstrução de crânio num trabalho revolucionário para a
crônica médica. Há não muito tempo atrás, seria material de ficção científica.
Mas para o cirurgião Pablo Maricevich e para o jovem Lucas Rafael da Silva –
que sofreu traumatismo do crânio em um acidente de moto foi o marco de mais
um capítulo na história de um hospital onde trabalha um número de profissionais
equivalente a mais da metade da população dos menores municípios pernambucanos.
São 2,2 mil internações, 800 cirurgias, 10 mil atendimentos emergenciais e 13
mil ambulatoriais por mês, boa parte dos quais resultado da deficiência
hospitalar do interior, de onde acorrem a todo instante as ambulâncias para o
Recife.
Matéria recente da repórter Verônica Almeida documenta a satisfação do jovem,
que havia perdido quase um quarto do crânio e voltou a sorrir, e do cirurgião,
que em menos de um ano já operou 23 pessoas, devolvendo a elas a estética, um
bônus que tem muita importância na saúde mental. Esses são detalhes de um
grande painel que representa um dos melhores, mais complexos e às vezes
criticados serviço públicos em Pernambuco, com um papel social indiscutível.
Seus mais de 3.600 funcionários quase 600 médicos são responsáveis pela
saúde das pessoas nos momentos mais difíceis, quando se exige mais habilidade
para salvar vidas em situação de emergência. Atendendo 100% pelo SUS, 48 anos
depois de inaugurado o HR é reconhecido pela excelência em traumato-ortopedia,
cirurgia geral, vascular periférica, bucomaxilofacial, clínica médica e
pediátrica, com especialistas em casos de alta complexidade como essa
reconstrução de um crânio com apoio de software desenvolvido em São Paulo.
Esse capítulo especial na história da maior emergência do Norte e Nordeste do
País representa um grande avanço pela sustentabilidade. Não se trata de um caso
circunstancial fora do comum e igualmente extraordinário como aconteceu em
fevereiro de 2004, quando a turista israelense Moran Bonflek, atingida por uma
bala perdida durante o Carnaval de Olinda, foi salva com uma massagem no
coração, na emergência da HR.
A tecnologia 3D que desenvolve próteses como essa que devolve a um jovem as
condições de sobrevivência normal sem chamar atenção pela deformação
provocada pelo acidente , já tem um histórico no Brasil e vem sendo buscada
por médicos de países vizinhos. Um dado a mais tem que ser realçado nesse
trabalho do Centro de Informação Tecnológica Renato Archer, de Campinas: seu
coordenador, o engenheiro Jorge Vicente Lopes, chama atenção para o fato de o
nosso Sistema Único de Saúde estar proporcionando, com essa tecnologia, o que
muitas vezes não é encontrado no setor privado do primeiro mundo.