Requerimento Nº 2044/2016
Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais,
que seja transcrito nos Anais desta Casa o memorial da médica Maria das Mercês
Pontes Lima Cunha.
Justificativa
Nascida no estado de Alagoas, mais precisamente no município de São José da
Lage, Maria das Mercês Pontes de Lima Cunha adotou o estado de Pernambuco como
sua segunda casa e aqui, manteve profícuas relações na sua área profissional,
beneficiando muitas pessoas com seu trabalho de excelência irretocável.
Na capital pernambucana, foi aluna do curso de medicina na antiga Faculdade de
Medicina do Recife, no bairro do Derby. Foi residente da Casa Universitária,
onde, por suas colegas de faculdade, era muito querida. Casou-se com Ruy Pinto
Cunha, médico e colega, tendo como fruto desta união cinco filhos.
No ano de 1954 concluiu seu curso e logo após, foi inserida nos quadros da
Secretaria de Saúde de Pernambuco exercendo sua profissão na área de saúde
pública. Mais tarde, em 1956, se aperfeiçoou em Clínica Ginecológica no
Hospital das Clínicas da conceituada Universidade de São Paulo.
Como primeira ação decorrente desta especialização, implantou no ano seguinte,
de volta a Pernambuco, o Serviço de Prevenção do Câncer do Colo Uterino, já
como contratada do Hospital das Clínicas da UFPE, surgindo assim o Setor da
Citopatologia naquela unidade de saúde.
O Hospital de Câncer de Pernambuco, juntamente com o ex-governador do estado,
Cid Sampaio e a primeira-dama Dulce Sampaio, apoiaram jovens médicos que
estruturaram o tratamento do câncer, e dentre eles, estava a jovem médica
Mercês Cunha.
A partir destes fatos importantes, que contribuíram positivamente na saúde da
mulher, Dra. Mercês se dedicou a prevenção do câncer ginecológico, se tornando
um símbolo de dedicação, compromisso e solidariedade nesta área, transmitindo
os conhecimentos anteriormente recebidos, e lutando por essa causa junto à
sociedade e órgãos competentes.
Em 1960, passou a ser instrutora de ensino da UFPE, após especialização na
Universidade Federal de Minas Gerais. Treze anos mais tarde, fez o curso de
Ensino Aprendizagem UFPE, e ainda nesse ano, implantou o centro de
Cishistopatologia.
Ainda, podemos citar grande iniciativa da Dra. Mercês, quando criou a primeira
turma do curso de formação de citotécnicos pela FUSAM, em parceria com a
Secretaria Estadual de Saúde. Também passou a assessorar o Ministério da Saúde
e prestou consultoria a Organização Pan-Americana de Saúde, esta, vinculada a
Organização Mundial de Saúde.
Em 1994, recebeu o título de Professora Emérita da UFPE. Foi professora do
mestrado em Tocoginecologia da Universidade de Pernambuco.
Atuou como médica nos municípios de Garanhuns e Água Bela, nas comunidades
indígenas. Pioneira no Nordeste e em Pernambuco, criou a turma de
especialização em prevenção do câncer no exame de colposcopia.
Após toda esta apresentação não apenas curricular, mas humana desta
importante figura, que deu deveras contribuições, e que se doou integralmente a
saúde pública, ressaltamos que devemos sempre prestar homenagens a figuras de
qualidade semelhantes à Dra. Mercês Cunha.
Por seu belo e extenso trabalho, recebeu honrarias póstumas, emprestando seu
nome a diversos estabelecimentos de saúde em Pernambuco, como o Laboratório da
Mulher, na Avenida Conde da Boa Vista; no IMIP, com um andar das mulheres
batizado com seu nome, e na UFPE, com a sala de ensino Mercês Cunha.
A cidade do Recife não ficou de fora, e prestou grande homenagem a esta mulher
de fibra e garra, utilizando o nome desta ilustre cidadã no então Hospital da
Mulher Dra. Mercês Pontes Cunha, maior obra de saúde realizada na cidade. A
nova unidade de saúde conta com 150 leitos, e realizará mensalmente cerca de
11,1 mil exames, 3,5 mil consultas médicas, e oferta de parto humanizado em
banheira. Os serviços já se iniciaram no último dia 10, e gradativamente irá
atender mais pessoas.
Profissionalmente, Dra. Mercês teve uma vida voltada para a ciência,
contribuindo positivamente para a melhoria da qualidade de vida das pessoas.
Pessoalmente, acreditamos que ela usou diversas vezes seu lado materno para
humanizar o atendimento as mulheres, priorizando sempre as novas descobertas e
o bem estar de todos e todas que por seu trabalho fossem atingidos.
Instruiu, desde o profissional técnico até médicos que especializou, sempre os
encorajando a interagir nesta árdua batalha, que é o combate ao câncer
ginecológico. Com certeza, todos nós devemos reverenciar e reconhecer que Maria
das Mercês Pontes Lima Cunha é um referencial na história da medicina no Brasil.
No dia 20 de fevereiro de 2000, foi derrotada pessoalmente por um inimigo que
sempre lutou, após ter vencido tanto e por tantos anos de forma coletiva: o
câncer. De forma rápida e desleal, faleceu no Recife, deixando órfãos seus
alunos e amigos, e abrindo uma lacuna que dificilmente será preenchida.
Sem sombra de dúvidas, seus ensinamentos serão ecoados por longos anos que
estão por vir, através de homenagens que nunca serão suficientes para equiparar
a gratidão que temos a esta brasileira notável e honrosa, que acima de tudo,
não mediu distâncias nem esforços para contribuir com uma sociedade mais justa,
humana e igualitária. Dra. Mercês pode não ser uma pernambucana de fato, mas
seu espírito solidário se iguala as grandes figuras que nos deixam ensinamentos
para toda a posteridade, mostrando que podemos e devemos fazer sempre mais para
melhorar a qualidade de vida de todos.
Perante o exposto, solicito aos nobres parlamentares a aprovação deste
requerimento.