2016Requerimentos

Requerimento nº 2.044/2016

By 18/05/2016junho 26th, 2020No Comments

Requerimento Nº 2044/2016

 

Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais, 
que seja transcrito nos Anais desta Casa o memorial da médica Maria das Mercês 
Pontes Lima Cunha.

 

Justificativa 

 

Nascida no estado de Alagoas, mais precisamente no município de São José da 
Lage, Maria das Mercês Pontes de Lima Cunha adotou o estado de Pernambuco como 
sua segunda casa e aqui, manteve profícuas relações na sua área profissional, 
beneficiando muitas pessoas com seu trabalho de excelência irretocável.
Na capital pernambucana, foi aluna do curso de medicina na antiga Faculdade de 
Medicina do Recife, no bairro do Derby. Foi residente da Casa Universitária, 
onde, por suas colegas de faculdade, era muito querida. Casou-se com Ruy Pinto 
Cunha, médico e colega, tendo como fruto desta união cinco filhos.
No ano de 1954 concluiu seu curso e logo após, foi inserida nos quadros da 
Secretaria de Saúde de Pernambuco exercendo sua profissão na área de saúde 
pública. Mais tarde, em 1956, se aperfeiçoou em Clínica Ginecológica no 
Hospital das Clínicas da conceituada Universidade de São Paulo. 
Como primeira ação decorrente desta especialização, implantou no ano seguinte, 
de volta a Pernambuco, o Serviço de Prevenção do Câncer do Colo Uterino, já 
como contratada do Hospital das Clínicas da UFPE, surgindo assim o Setor da 
Citopatologia naquela unidade de saúde.
O Hospital de Câncer de Pernambuco, juntamente com o ex-governador do estado, 
Cid Sampaio e a primeira-dama Dulce Sampaio, apoiaram jovens médicos que 
estruturaram o tratamento do câncer, e dentre eles, estava a jovem médica 
Mercês Cunha.
A partir destes fatos importantes, que contribuíram positivamente na saúde da 
mulher, Dra. Mercês se dedicou a prevenção do câncer ginecológico, se tornando 
um símbolo de dedicação, compromisso e solidariedade nesta área, transmitindo 
os conhecimentos anteriormente recebidos, e lutando por essa causa junto à 
sociedade e órgãos competentes. 
Em 1960, passou a ser instrutora de ensino da UFPE, após especialização na 
Universidade Federal de Minas Gerais. Treze anos mais tarde, fez o curso de 
Ensino Aprendizagem – UFPE, e ainda nesse ano, implantou o centro de 
Cishistopatologia. 
Ainda, podemos citar grande iniciativa da Dra. Mercês, quando criou a primeira 
turma do curso de formação de citotécnicos pela FUSAM, em parceria com a 
Secretaria Estadual de Saúde. Também passou a assessorar o Ministério da Saúde 
e prestou consultoria a Organização Pan-Americana de Saúde, esta, vinculada a 
Organização Mundial de Saúde.
Em 1994, recebeu o título de Professora Emérita da UFPE. Foi professora do 
mestrado em Tocoginecologia da Universidade de Pernambuco.
Atuou como médica nos municípios de Garanhuns e Água Bela, nas comunidades 
indígenas. Pioneira no Nordeste e em Pernambuco, criou a turma de 
especialização em prevenção do câncer no exame de colposcopia. 
Após toda esta apresentação – não apenas curricular, mas humana – desta 
importante figura, que deu deveras contribuições, e que se doou integralmente a 
saúde pública, ressaltamos que devemos sempre prestar homenagens a figuras de 
qualidade semelhantes à Dra. Mercês Cunha.
Por seu belo e extenso trabalho, recebeu honrarias póstumas, emprestando seu 
nome a diversos estabelecimentos de saúde em Pernambuco, como o Laboratório da 
Mulher, na Avenida Conde da Boa Vista; no IMIP, com um andar das mulheres 
batizado com seu nome, e na UFPE, com a sala de ensino Mercês Cunha.
A cidade do Recife não ficou de fora, e prestou grande homenagem a esta mulher 
de fibra e garra, utilizando o nome desta ilustre cidadã no então Hospital da 
Mulher Dra. Mercês Pontes Cunha, maior obra de saúde realizada na cidade. A 
nova unidade de saúde conta com 150 leitos, e realizará mensalmente cerca de 
11,1 mil exames, 3,5 mil consultas médicas, e oferta de parto humanizado em 
banheira. Os serviços já se iniciaram no último dia 10, e gradativamente irá 
atender mais pessoas.
Profissionalmente, Dra. Mercês teve uma vida voltada para a ciência, 
contribuindo positivamente para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. 
Pessoalmente, acreditamos que ela usou diversas vezes seu lado materno para 
humanizar o atendimento as mulheres, priorizando sempre as novas descobertas e 
o bem estar de todos e todas que por seu trabalho fossem atingidos. 
Instruiu, desde o profissional técnico até médicos que especializou, sempre os 
encorajando a interagir nesta árdua batalha, que é o combate ao câncer 
ginecológico. Com certeza, todos nós devemos reverenciar e reconhecer que Maria 
das Mercês Pontes Lima Cunha é um referencial na história da medicina no Brasil.
No dia 20 de fevereiro de 2000, foi derrotada pessoalmente por um inimigo que 
sempre lutou, após ter vencido tanto e por tantos anos de forma coletiva: o 
câncer. De forma rápida e desleal, faleceu no Recife, deixando órfãos seus 
alunos e amigos, e abrindo uma lacuna que dificilmente será preenchida. 
Sem sombra de dúvidas, seus ensinamentos serão ecoados por longos anos que 
estão por vir, através de homenagens que nunca serão suficientes para equiparar 
a gratidão que temos a esta brasileira notável e honrosa, que acima de tudo, 
não mediu distâncias nem esforços para contribuir com uma sociedade mais justa, 
humana e igualitária. Dra. Mercês pode não ser uma pernambucana de fato, mas 
seu espírito solidário se iguala as grandes figuras que nos deixam ensinamentos 
para toda a posteridade, mostrando que podemos e devemos fazer sempre mais para 
melhorar a qualidade de vida de todos. 
Perante o exposto, solicito aos nobres parlamentares a aprovação deste 
requerimento.