2021Requerimentos

Requerimento 3415/2021

By 17/09/2021setembro 29th, 2021No Comments

TEXTO COMPLETO

Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais, que seja formulado um Voto de Aplausos à poetisa Francisca Araújo, natural do município de Iguaracy, pelo segundo lugar conquistado no IV Concurso Nacional de Poesias: A Poesia em Cada Ser, organizado pela Casa de Cultura Euclides da Cunha, de São José do Rio Pardo, em São Paulo.

 

JUSTIFICATIVA

 

Filha de agricultores, moradora do Sítio Baixa Grande, comunidade rural do município de Iguaracy, a poetisa, professora e estudante de Pedagogia Francisca Araújo é uma das mais potentes vozes da poesia contemporânea produzida em Pernambuco a partir do Sertão do Pajeú. Ela conquistou, no último mês de agosto, o segundo lugar (categoria adulto) no IV Concurso Nacional de Poesias: A Poesia em Cada Ser, certame organizado pela Casa de Cultura Euclides da Cunha, espaço cultural em atividade há 75 anos, na cidade de São José do Rio Pardo, em São Paulo, funcionando no mesmo imóvel em que o grande escritor se dedicou a produzir Os Sertões, sua obra mais emblemática.

Disputando com mais de 800 trabalhos de todo país, além de brasileiros residentes em outros países como Canadá, Portugal e Bélgica, Francisca Araújo foi destaque com o soneto “Insônia”, abaixo transcrito:

 

“Madrugada que chega lenta e triste,

Como podes saber de tanto assim?!

Tu escoras meu choro, mas existe

Uma dor a tombar dentro de mim…

Por que não trazes quem há tempo insiste

Em morar no sorriso que dei fim,

Se por mero descuido tu não viste

Que não sei cochilar, só é tão ruim…

Vês! Enquanto meu pranto não desperta

Já não posso deixar a porta aberta

Pra ver outra ilusão aparecer.

Eu prefiro que partas sem demora,

Mas se não desejares ir agora

Eu, ao menos, preciso adormecer.”

Além de uma premiação em dinheiro, Francisca Araújo recebeu a medalha Ariano Suassuna – uma homenagem concedida pela Casa Euclidiana ao poeta, dramaturgo, romancista, professor e um dos mais importantes nomes da literatura nacional. A outorga, que brinda o talento da jovem poetisa pernambucana, também nos enche de orgulho.

Aos 24 anos de idade, Francisca Araújo é uma poetisa de bancada e glosadora de raro talento. Escreve, recita e improvisa há dez anos. Começou aos 14 anos, sem conhecer regras, padrões métricos e melódicos. Cresceu acompanhando os programas de violas e aboios da Rádio Pajeú, lendo cordéis que chegavam às suas mãos e ouvindo as toadas que seu pai, Cícero, tirava ao violão em horas de descanso – elementos importantes na construção de sua formação literária.

Dentro de um universo ainda essencialmente masculino, Francisca Araújo é uma das cinco mulheres (e única negra) a participar de mesas de glosas em Pernambuco e vem, com sua arte e posicionamento, participando ativamente do debate sobre a presença feminina e o fortalecimento da produção literária.

Suas poesias integram coletâneas, como O que é Poesia (2008), Antologia Literária e Fotográfica Profundanças 3 (2019), Mesas de Glosas da 1ª Feira de Poesia do Pajeú (2020), entre outras. Em sonetos de perfeita métrica, ritmos e rimas, Francisca Araújo os apresenta um repertório amplo. Fala das angústias humanas, do amor, da saudade, do Sertão do Pajeú e de questões sociais e políticas do Brasil de hoje, como abaixo registro:

“Apesar do cenário desigual

A mulher vem buscando os seus direitos

E essa luta no campo social

Tem vencido os maiores preconceitos.

Por Maria da Penha e Marielle,

Não importa qual seja o tom da pele,

De um só ideal nascem conquistas…

Somos vozes de luta, almas de fé

Confrontando o discurso que inda é

Defensor da postura dos machistas.”

Salve a poesia de Francisca Araújo! Salve o Sertão do Pajeú, fonte inesgotável de cultura e de novos talentos! Salve a literatura de cordel, Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil!

 

Leave a Reply