TEXTO COMPLETO
Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais, que seja formulado Voto de Aplausos ao senhor Ricardo Breno de Pontes Borges Rodrigues por ter seu nome designado pelo Conselho Deliberativo do Clube Náutico Capibaribe, em reunião realizada no dia 25 de março, para denominar o edifício-sede do referido clube.
JUSTIFICATIVA
A atual diretoria do Clube Náutico Capibaribe, ao lado do seu Conselho Deliberativo, patrocinaram um dos mais justos e merecidos reconhecimentos que poderiam ser feito a um alvirrubro que ao longo de toda sua vida foi só dedicação e amor às cores vermelha e branca do aristocrático da Rosa e Silva. Ao dar o nome do GRANDE BENEMÉRITO RICARDO BRENO DE PONTES BORGES RODRIGUES à sua sede social, essa nova geração de dirigentes revela, com grande sensibilidade, o respeito que todos os aficionados ao Clube devem ter pelos exemplos dados por aqueles que dedicaram suas vidas à defesa – nos campos, nas quadras ou fora delas – do Pavilhão Alvirrubro.
Dentre tantos alvirrubros valorosos, poucos possuem um currículo tão rico como o que Ricardo Breno de Pontes Borges Rodrigues, ou Cacá, como é carinhosamente conhecido, construiu dentro do edifício, que ora leva o seu nome. Apenas para que se tenha como parâmetro, Cacá é o único alvirrubro que recebeu título de Sócio Emérito, Benemérito e Grande Benemérito do Clube Náutico Capibaribe, pelos relevantes serviços prestados so Clube, seja como atleta, como dirigente ou como seu representante em todas as federações de desporto amador de Pernambuco.
Para melhor descrever o que significa o nosso homenageado para o Náutico, e vice-versa, transcrevo, como justificativa do presente requerimento, excelente texto de Paulo Monteiro, sócio e conselheiro do Clube, que expõe com detalhes e maestria, uma breve biografia de Cacá, tanto no que diz respeito à sua vinculação com o Náutico, quanto também no que se refere à sua participação junto ao próprio desporto amador de Pernambuco.
OITENTA ANOS DE DEDICAÇÃO E AMOR, UM EXEMPLO A SER SEGUIDO.
No ano de 1941, com apenas sete anos de idade, chegava ao Clube Náutico Capibaribe uma criança, levada por seus irmãos, e que mais tarde viria a ser uma das maiores legendas de nosso amado Clube. Esse é apenas o começo da bela e exemplar história de Ricardo Breno de Pontes Borges Rodrigues, mais conhecido como CACÁ.
Falar do nosso Náutico sem fazer referência à vida de Cacá e sua relação com o Clube, é como falar do Recife e esquecer nosso rio, suas pontes e suas importâncias para vida de nossa cidade. A primeira atividade do menino Cacá foi como atleta de basquete na equipe infantil, fazendo uma bela e vitoriosa caminhada que o levaria a conquistar vários títulos em todas as categorias que disputou, do infantil ao adulto, servindo também à seleção pernambucana.
Com sua juventude e determinação, Cacá praticou também tênis, sendo igualmente campeão do infantil ao adulto, chegando também a integrar a seleção pernambucana desse esporte. Porém, a ligação desse jovem com o Náutico não se limitaria apenas a prática de esportes, e em 1946, paralelamente às atividades de atleta, teve início sua vida como dirigente, que começou como orador do Núcleo Infantil Alvirrubro, tornando-se em seguida presidente. O passo seguinte foi assumir a subdiretoria do Departamento de Tênis para pouco tempo depois assumir a diretoria.
Ao longo de sua trajetória no Clube Náutico Capibaribe, Cacá exerceu dezenas de cargos, como diretor dos departamentos de tênis, basquete, remo, voleibol e atletismo. Foi vice-presidente esportivo do Clube por oito períodos, assessor especial da presidência em mais de uma gestão, vice-presidente do executivo por dois períodos e presidente do executivo por ocasiões.
Desde 1960, ou seja, há sessenta e um anos, é membro do Conselho Deliberativo, tendo exercido o cargo de presidente por dois períodos seguidos – sendo o único até hoje a ser reeleito; foi também secretário e presidiu duas assembleias gerais. Além dos cargos exercidos no Náutico, Cacá representou nosso Clube em todas as federações esportivas do nosso Estado. Realizou várias corridas da fogueira, três jogos infantis de Pernambuco, que serviu como modelo para posterior realização dos jogos escolares de Pernambuco, e realizou também os Jogos Infantis do Norte e Nordeste. Pela sua vida dedicada à prática e desenvolvimento do desporto em geral, recebeu do Comitê Olímpico Brasileiro uma homenagem como reconhecimento pela colaboração prestada ao olimpismo brasileiro.
Nesses oitenta anos de vida no Clube Náutico Capibaribe, Ricardo Breno de Pontes Borges Rodrigues merecidamente foi agraciado com várias distinções honoríficas sendo portador dos seguintes títulos: sócio emérito pelos títulos conquistados nas quadras de basquete e tênis; sócio benemérito pelos relevantes serviços prestados ao Clube e sócio grande benemérito pelos relevantes e excepcionais serviços prestados.
A dedicação de toda uma vida voltada ao Náutico e ao desporto amador/olímpico rendeu também a Cacá homenagens e comendas de várias federações e confederações, tais como: Grande Benemérito da Federação Pernambucana de Remo e de Futebol; Benemérito da Confederação Brasileira de Remo e Benemérito do Remo Brasileiro; Medalha Centenário de Eládio de Barros Carvalho; Medalha Amigo da Marinha; Medalha Joaquim Nabuco, concedida pela Assembleia Legislativa de Pernambuco; Medalha Barbosa Lima Sobrinho, concedida pela Associação Brasileira de Imprensa, e a Medalha Conde da Boa Vista, concedida pelo Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco.
Em outras entidades esportivas, Cacá também prestou relevantes serviços como Presidente da Federação Pernambucana de Remo; Vice-Presidente da Confederação Brasileira de Remo e Membro do Conselho Fiscal das Federações Pernambucana de basquete, aquática e de ciclismo.
Preservar a memória de uma instituição ou de uma pessoa e mantê-la viva é uma forma de fortalecer suas bases. A memória entendida como elemento fundamental na formação e preservação da identidade de uma instituição, de suas tradições e experiências significa conservar os pilares da fundação do Clube para que não percamos os valores que o fizeram ser a força esportiva e cultural que é no cenário brasileiro.
Para que essa memória seja preservada, é necessário se conservar fotos, documentos, objetos e, acima de tudo, tornar público os fatos dessa memória, razão pela qual resolvi fazer esse relato para que sirva de exemplo a nós e às futuras gerações. Hoje, na condição de amante, torcedor, sócio e conselheiro do Clube Náutico Capibaribe, sinto-me no dever de externar minha eterna gratidão ao irmão e dileto amigo Cacá, não só por tudo que fez e tem feito pelo nosso Náutico, mas principalmente pelos exemplos que nos tem passado, dedicando oitenta anos dos seus oitenta e sete anos de vida a servir o NÁUTICO, colocando sempre à frente dos seus interesses pessoais a vontade maior de servir o Clube que tanto ama.
Obrigado Cacá por tudo, que sua história em nosso Clube seja hoje e sempre exemplo para todos que almejam ocupar algum cargo no nosso amado Náutico!
Paulo Monteiro
Sócio e Conselheiro do Náutico
Pelas razões acima expostas, julgo ser justo o Voto de Aplausos que ora solicito. É importante que fique imortalizado nos Anais desta Casa o exemplo de um desportista alvirrubro que dedicou sua vida a, em nome do seu amado Clube, fomentar os maiores e melhores valores da prática desportista em Pernambuco. Estou certo de que meus pares me acompanharão, à unanimidade, nesta justa homenagem.