Requerimento Nº 1943/2016
Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais,
que seja formulado Voto de Aplausos a jornalista Tereza Rozowykwiat pela
organização e publicação do livro Meus Queridos Amigos As Crônicas de Dom
Helder Câmara.
Justificativa
Fruto da organização da jornalista Tereza Rozowykwiat e edição da Companhia
Editora de Pernambuco CEPE, no último dia 10 de abril, ocorreu a lançamento
do livro Meus Queridos Amigos As Crônicas de Dom Helder Câmara, na Igreja
das Fronteiras, no bairro da Boa Vista, no Recife. A obra consiste na reunião
de 200 textos lidos pelo então arcebispo na Rádio Olinda.
No ano em que Dom Helder, se vivo fosse, completaria 107 anos, Tereza
Rozowykwiat selecionou 200 crônicas dentre as 2.549 veiculadas no programa Um
Olhar Sobre a Cidade, que permaneceu no ar entre os anos de 1974 e 1983. Em
quase 500 páginas, o livro percorre as seis partes em que foi dividida:
injustiças sociais, política, religião, atitude, sentimento e Ele Era Assim,
trazendo relatos de diversas personalidades.
Os textos lidos pelo Dom da Paz revelam uma fase dura da vida pública do
arcebispo. Com restrições para explanar suas falas, Dom Helder já havia
começado sua intensa campanha no exterior pelo fim da repressão política no
Brasil.
A Rádio Olinda, emissora pertencente à Arquidiocese de Olinda e Recife, era um
dos poucos canais para se pronunciar publicamente. O arcebispo, no entanto,
tolhia por vezes o tom e o tema do que era dito. Tereza, autora da obra,
comenta que o programa já foi uma pequena abertura para Dom Helder, mas ele
tinha consciência que não podia falar o que quisesse, pois sofreu ameaças de
fecharem a rádio antes. Apesar de às vezes ser duro nos temas políticos, ele
também falava de temas leves.
A leitura de Meus Queridos Amigos é um passeio à vivência dos tempos de Dom
Helder, que foi um homem libertário, combativo, humilde e que viveu próximo dos
que verdadeiramente precisavam. A apresentação do livro dá um enfoque sui
generis na importância desta obra nos dias atuais, afirmando que com as
palavras de Dom Helder, passaríamos a entender melhor os dias nublados que
atravessamos, e que as suas palavras nos leva a repensar situações que às vezes
parecem caminhos sem saída.
Portanto, devemos reconhecer a singularidade do trabalho da jornalista Tereza
Rozowykwiat, que conseguiu mostrar, numa bela seleção de textos, todas as
virtudes do homem que foi mais do que apenas um religioso, que se propôs a
colocar os pés na lama em favor dos mais necessitados, e que até hoje merece
toda a nossa reverência.
Perante o exposto, solicito aos meus ilustres pares a aprovação deste
requerimento.