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Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais, que seja formulado Voto de Aplausos a João Monteiro Neto por sua eleição na Academia Literária do Clube da Poesia Nordestina, localizada no município de Serra Talhada, onde ocupará a cadeira de número 55.
JUSTIFICATIVA
Há mais de quarenta anos, o advogado e escritor João Monteiro Neto exerce com altruísmo e perseverança o estudo sobre as raízes da cultura nordestina. Pesquisa essa que já o levou a percorrer por duas décadas, e sem qualquer apoio ou recursos públicos, diversos países da Europa e Ásia para validar as sutis conexões entre as mais antigas civilizações da humanidade e os saberes do homem sertanejo. João Monteiro Neto tem a busca por essas práticas culturais e identitárias como sua principal bandeira de vida.
Primero projeto de uma trilogia, o livro Aboio, Poesia, Improviso, Cantoria: Origens (2017), converge para as páginas essa busca incansável do escritor pela compreensão da nossa diversidade cultural. Uma procura que nasceu ainda na adolescência, em leituras de obras consagradas do cânone literário brasileiro, a destacar Euclides da Cunha, e que ganhou intensidade com as constantes viagens ao Sertão quando acompanhava o pai, João Monteiro Filho, em suas agendas políticas.
O livro, agora destacado pela Academia Literária que lhe concede a honraria, com diplomação prevista para dia 30 de maio, revela as interseções entre o hinduísmo, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo e de que forma funcionaram como esteio para a oralidade cultural nordestina. Uma obra de destacado valor, escrita em narrativa simples para chegar às escolas e ao universo do homem comum, que será aprofundada com a publicação dos próximos volumes da trilogia sobre o Nordeste.
Sua incursão ao mundo literário soma-se às muitas contribuições realizadas como aguerrido defensor da cultura nordestina. Fundou diversas associações de vaqueiros no Alto Sertão, produziu a Missa do Vaqueiro de Serrita entre os anos de 2005 e 2008, colaborou para o reconhecimento e regularização da profissão do vaqueiro, requereu junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) o reconhecimento do vaqueiro da caatinga como bem cultural
imaterial do Brasil, entre outras iniciativas. Seu trabalho ganhou reconhecimento de instituições importantes, como a do próprio IPHAN, que concedeu o Prêmio Nacional Rodrigo de Melo Franco de Andrade ao projeto Vaqueiro da Caatinga e sua Diversidade Cultural, inscrito através da Fundação Padre João Câncio, de Salgueiro.
Pelas razões acima expostas, julgo ser justo o Voto de Aplausos que ora solicito, tendo a certeza de que meus pares me acompanharão, à unanimidade, nesta homenagem.
WALDEMAR BORGES
Deputado estadual